Planserv: contrato entre governo e cooperativa impede garantia de anestesistas

No jogo de empurra-empurra entre instituições prestadoras de serviços, o prejudicado é quase sempre quem deveria ser beneficiado. E não está sendo diferente para os pacientes associados ao Planserv.

Desde que os atendimentos de anestesiologia foram interrompidos (7 de janeiro), cirurgias estão sendo suspensas ou os assistidos estão tendo que pagar uma fortuna pelo serviço.

Os hospitais e clínicas jogam a conta para o governo do Estado, que rebate dizendo que essas instituições devem garantir anestesistas para todos os pacientes.

Segundo o presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Adan, não se trata de uma questão de “querer ou não querer” ofertar o atendimento, mas não há especialistas no estado que não estejam diretamente ligados à Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA).

“Há mais de 10 anos, o Planserv e os demais planos de saúde do estado assinaram um contrato com a Cooperativa. Foi um modelo implantado em toda a Bahia. Quando o Planserv fez esse movimento, tirou de nós esta responsabilidade e a condição de oferecer esse tipo de serviço. Não se trata de querer ou não [realizar o procedimento], se trata de não conseguir fazer anestesiologia de forma direta. Os hospitais não têm essa estruturação, visto que foi assinado esse contrato com a Cooperativa para prestação regular desse serviço. Queremos ajudar, estamos juntos com o Planserv, mas não temos anestesistas que não façam parte do modelo da Cooperativa”, disse.

Planserv – Procurado, o Governo do Estado, por meio de sua Secretaria de Comunicação (Secom), limitou-se a reafirmar que cabe aos hospitais credenciados ao plano de saúde oferecer os serviços de anestesia sem qualquer tipo de cobrança aos beneficiários do plano.

“Os serviços de anestesia podem ser prestados diretamente pelos hospitais, pois já estavam previstos desde quando a rede credenciada estabeleceu relação contratual com o plano. A premissa do Planserv é manter a regularidade do atendimento aos beneficiários. E assegura que está adotando todas as medidas necessárias para que as cirurgias continuem sendo realizadas sem qualquer tipo de prejuízo em toda a rede de prestadores”, consta na nota.

O governador Rui Costa, no final de semana, chegou a criticar a postura dos anestesistas, que suspenderam o serviço após não terem sido aceito o pedido de reajuste salarial.

“A duas semanas atrás, disseram que queriam um aumento de 40% da sua remuneração. Numa conjuntura dessa, alguém falar que quer 40% de aumento do seu serviço, é não compreender o momento que o Brasil está passando. Não haverá negociação separada com nenhum segmento profissional. Nem com anestesistas nem com nenhum outro especialista. A relação do Planserv será com as clínicas e os hospitais a partir de agora”, afirmou.

E complementou detalhando os gastos com o plano de saúde destinado aos servidores públicos. “O orçamento do Planserv no ano é R$1,5 bilhão. Só para se ter o tamanho dessa despesa, o investimento da saúde para cuidar de 15 milhões de pessoas, no ano passado foi R$5,6 bilhões. O Planserv custa 1,5 bilhão para cuidar de 500 mil vidas. Portanto, não podemos aumentar a despesa do servidor, porque quem paga é o servidor e o Estado também contribui”.

Após a última reunião sem sucesso entre as partes, mediada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na última terça-feira (8), um novo encontro foi agendado para o dia 30 de janeiro. Enquanto o impasse não é solucionado, a recomendação do Governo da Bahia é entrar em contato com o Planserv pela Central de Relacionamento 24 horas, no telefone 0800 56 6066, e denunciar cobranças de atendimentos anestésicos. Com informações da Tribuna da Bahia.