Lendas folclóricas são parte da cultura e, consequentemente da vida de diferentes gerações que passam essas histórias para as próximas. Hoje, com o acesso à internet, é difícil imaginar essa realidade, mas até o século passado era comum acreditar nas histórias contadas pelos avós sobre assombrações da madrugada ou seres místicos que vivem na natureza.

Folclore regional é constituído por elementos e traços culturais de diferentes culturas que se entrelaçam, se misturam e se harmonizaram recriando-os em novas bases, algumas relembram clássicos como Saci-pererê, Curupira e Iara.

As influências culturais recebidas de estados vizinhos fazem com que Mato Grosso do Sul apresenta peculiaridades diferenciadas dos demais estados brasileiros, principalmente, porque somam às influências e trocas culturais nas regiões de fronteira com o Paraguai e a Bolívia.

Neste dia 22 de Agosto é comemorado o Dia Nacional do Folclore, e para ilustrar a data separamos 9 lendas de Mato Grosso do Sul e região que com certeza vão te trazer calafrios e tirar seu sono à noite. Confira:

João de Barro

Dia do Folclore: 9 lendas do MS que talvez você não conheça
(Reprodução, Dario Sanches)

A lenda João-de-barro é difundida em todo o Estado, pois se trata de um pequeno pássaro que constrói sua casa em todos os cantos do pantanal, dos campos e dos cerrados, lembrando-se de colocar a porta do lado contrário às chuvas frequentes. Caso a companheira o traia, João-de-barro a tranca definitivamente na casinha, fechando a porta para sempre.

Mãozão ou Pai do Mato

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(Mãozão – Daltro Júnior)

 É descrito como um bicho peludo, inicialmente assemelha-se a anta, em seguida cresce vertiginosamente, transformando-se em um homem negro, cabeludo e barbudo. Os crédulos afirmam que ao passar sua mão pela cabeça de uma pessoa, esta ficará louca. Apesar do nome, o Mãozão não possui mãos grandes;   elas, porem, são extremamente poderosas, de onde resulta a denominação do personagem.

Minhocão

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(Minhocão – Sérgio Botelho)

O Minhocão tem grande semelhança com a Boiúna do Amazonas. Segundo pesquisas, o Minhocão é uma espécie de serpente longa e cabeçuda, não tendo cor definida, mas sabe-se que é escura devido ao seu habitat. Vive sob o barro das barrancas do rio e ao passar deixa marcas no chão, em forma da sua imensa cabeça. Quando fica zangado e faminto, serpenteia no rio de tal forma que derruba as embarcações, devorando pescadores e afundando canoas.

Alguns dizem que produz imenso ruído ao se aproximar e os mais crédulos preferem referir-se a ele como o bicho. Pode acontecer que a pessoa, ao presenciar a um ataque do Minhocão, não supere o fato e enlouqueça. As lendas dizem que não se pode reformar ou restaurar a igreja matriz, pois o minhocão encontra-se preso pelos fios de cabelo de Nossa Senhora.

Sinhozinho

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(Sinhozinho – Reprodução)

Na região de Bonito, tem o mito do Sinhozinho, um frei que andou pregando ensinamentos religiosos pela região nos anos 30. Pequenino, mudo, benzia, curava e se comunicava, mesmo sem dispor de voz. Desapareceu sem deixar vestígios, mas sua presença foi marcada pelas obras que fez, pelas cruzes e capela que construiu.

Uma das histórias contadas pelo povo é que Sinhozinho teria prendido, em um grande buraco de um dos morros da cidade, uma cobra gigante, selando com uma de suas cruzes. Se a mesma for descoberta e retirada a cobra sairá e poderá devorar os moradores da cidade. Em torno desse personagem, existem vários causos que cada contador enfoca um aspecto diferente. Outra fala que a retirada da cruz inundaria a cidade de Bonito.

Tuiuiú

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(Reprodução)

Tem uma lenda conhecida, que explica a tristeza do jaburu, ave símbolo do pantanal, mais conhecida como tuiuiú. As aves sempre foram alimentadas por um casal de índios que, após a morte, foi enterrado no local onde costumava alimenta-las. Os tuiuiús, em busca de alimentos, ficam sobre o monte de terra que cobria os corpos do casal, esperando que de lá saíssem algumas migalhas para alimenta-los. Como isso não ocorreu, ficavam cada vez mais tristes, olhando em direção ao chão. É por esse motivo que os tuiuiús parecem estar sempre tristes, olhando em direção ao solo.

Pé-de-Garrafa

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(Pé de Garrafa – Contos de Horror)

O bicho Pé-de-Garrafa é um dos mitos mais conhecidos em Mato Grosso do Sul. Descrito como um bicho homem, cujo corpo é coberto de pelos, exceto ao redor do umbigo, dando a impressão de ter coloração branca, ponto vulnerável ao mostro. Alguns afirmam que tem cara de cavalo com um só olho no meio da testa, outros juram que tem cara de gorila e, outros ainda têm caras de cachorros.

A grande maioria descreve o bicho como possuidor de apenas um pé (embora poucos digam que ele tem dois pés), no formato de um fundo de garrafa. Isso faz com que se locomova aos pulos, como se fosse um canguru, deixando no chão, um rastro com marca de fundo de garrafa. Solta fortes assobios para comunicar que é dono do território, podendo até hipnotizar aquele que se atreve a encara-lo. A vítima é levada para sua caverna, onde é devorada, rezam as lendas.

Come-língua

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(Come-língua – Sacizal dos Pererês)

Come-língua é outro ser que povoa o imaginário das pessoas que moram na região do bolsão. É uma variante do Arranca-língua, lenda do Araguaia, trazida pelos goianos. Trata-se de um bicho que vive a arrancar a língua dos animais, que são encontrados mortos no pasto, sem vestígios de ataques de outros animais.

Em Mato Grosso do Sul, o mito apresenta-se de forma de um menino-bicho. Quando vivia, o menino era mentiroso e sua mãe, antes de morrer, rogou-lhe uma praga. Tempos depois, o menino foi encontrado morto e sem língua. Numa ocasião, um fazendeiro encontrou um gado morto no pasto e viu correr, no meio da mata, o menino com uma língua ensanguentada nas mãos verificando que o gado não mais possuía língua.

Negro-d’água

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(Negro d’agua – Só História)

O Negro-d’água é outra das lendas da mesma região, uma espécie de bicho-homem peludo que vive nos rios, assustando pescadores e afundando embarcações. Também conhecido como Caboclo d’água em outras regiões é uma espécie de Saci-Pererê do rio, que vive fazendo travessuras com os pescadores. Andam em bandos e, no fundo dos rios, há a cidade dos negrinhos d’água. Ás vezes, quando capturam um pescador, rezam as lendas, o leva para o fundo do rio para dar-lhe surras.

Mãe-d’água

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(Mãe d’agua – Hipercultura)

Parente da sereia mantém o mesmo hábito de se pentear em cima de uma grande pedra. Nos dias em que o pescador não consegue pegar peixe, dizem se tratar da benção da mãe d’água sobre o anzol. Protetora dos peixes é considerada um mito ecológico

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