Nancy Pelosi, ex-presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, recusa dar apoio público à candidatura de Biden e pede decisão rápida

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Pelosi, um dos nomes mais influentes do Partido Democrata e que comandou a Câmara até os 83 anos, disse que Biden deveria ‘avaliar todas as suas opções’. Atual deputada, ela já criticou jornalista que questionou sua legislatura por conta de sua idade em 2012. A ex-presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, em imagem de 2022.
KAREN MINASYAN/AFP/Getty Images
A influente ex-presidente da Câmara dos Deputados dos EUA Nancy Pelosi, democrata e aliada de Joe Biden, sugeriu nesta quarta-feira (10) que o presidente dos EUA reconsidere a decisão de concorrer à reeleição presidencial.
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Embora não tenha pedido diretamente que Biden desista da reeleição, Pelosi, atualmente deputada pelo estado da Califórnia, disse em entrevista a um programa matinal da rede de TV dos EUA NBC que o presidente “deveria considerar todas as opções” sobre manter ou desistir de sua candidatura.
BEla havia sido questionada sobre se apoiava ou não a permanência de Joe Biden como candidato pelo Partido Democrata.
Pelosi, que comandou a Câmara dos Deputados dos EUA por dois mandatos e é aliada de Biden, é o nome mais alto do Partido Democrata a não apoiar publicamente a candidatura do presidente até agora.
A posição também é significativa porque a própria Pelosi, de 84 anos, é há anos defensora de que a idade não é um impedimento para que políticos permaneçam em seus cargos. Em 2012, aos 72 anos, ela chamou de “desrespeitosa” a pergunta de um jornalista sobre se não era hora de deixar a carreira política para dar lugar a novos nomes de seu partido.
A pressão para que Biden desista de concorrer começou depois do debate de 27 de junho —o primeiro do calendário eleitoral—, em razão do mau desempenho dele no confronto com Trump. Na ocasião, o presidente se mostrou confuso, hesitante e pouco reativo. Depois, admitiu não ter ido bem, mas vem insistindo que tem capacidade para seguir na disputa.
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Editorial do NYT sobre Joe Biden
Reprodução/The New York Times
Na terça-feira (9), em um novo e duro editorial, o jornal “The New York Times” voltou a defender que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Partido Democrata), desista de se candidatar à reeleição —em que concorrerá contra o republicano Donald Trump, em 5 de novembro.
Editoriais são textos em que órgãos de imprensa expressam opinião sobre determinado tema. Nesta terça (9), o jornal americano diz que Biden está “passando vergonha” e “colocando o seu legado em risco” ao manter a candidatura e “parece inapto” para um novo mandato. Ele tem 81 anos e, em caso de vitória, terminaria o segundo mandato com 86.
No editorial, o “The New York Times” diz que:
Os políticos democratas “que querem derrotar Trump” devem”falar claramente” com Biden para que ele desista;
Cita pesquisa segundo a qual 74% acham que o democrata está velho demais para um novo mandato;
A resistência de Biden “ameaça entregar a vitória a Trump”: “Eles [democratas] precisam dizer a Biden que ele está passando vergonha e colocando em risco o seu legado”;
Diz que uma vitória de Trump, “um inapto a ser presidente”, colocaria em risco a democracia e que ainda há tempo de convencer os eleitores a esse respeito: “Mas os democratas terão dificuldade (…) enquanto seu próprio representante for um homem que também parece inapto para servir como presidente pelos próximos quatro anos”, afirma o jornal;
Por fim, o jornal diz: Biden “parece ter perdido a noção do próprio papel nesse drama nacional” ao querem seguir na disputa. “Ele não parece entender que agora ele é o problema —e que a melhor esperança para os democratas manterem a Casa Branca é que ele desista.”
Em editorial em 28 de junho, dia seguinte ao debate, o NYT havia defendido a desistência de Biden, embora em tom menos categórico. Outros veículos também já se manifestaram nesse sentido: na semana passada, a revista britânica The Economist mostrou um andador na capa para dizer que o presidente não tem condição de comandar o país.
O agregador de pesquisas do site americano 538 aponta que Trump é escolhido por 42,1% dos eleitores; Biden tem 39,9%.
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Yves Herman/Reuters
Biden nesta terça, em evento em comemoração aos 75 anos da Otan
Carta contra pressão
Em uma carta enviada na segunda-feira (8) a deputados, Biden confrontou membros do Partido Democrata e recusou novamente o pedido para deixe a disputa à Casa Branca. Ele pediu ainda que os deputados deixem de pressionar por sua desistência.
“Temos 42 dias para a Convenção Democrata e 119 dias para as eleições gerais”, disse Biden na carta, distribuída por sua campanha de reeleição. “Qualquer enfraquecimento da determinação ou falta de clareza sobre a tarefa que temos pela frente só ajuda Trump e nos prejudica. É hora de nos unirmos, avançarmos como um partido unificado e derrotar Donald Trump.”
Também na terça, congressistas democratas se reuniram para discutir a situação de Biden. O presidente ganhou apoio de alguns parlamentares, embora haja ainda não haja consenso, segundo relato da Agência France Presse.
Nesta semana, Biden participa de reunião em comemoração aos 75 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O evento pode oferecer uma trégua temporária — ou ser a última batalha do presidente, uma vez que um deslize possa aumentar as resistências contra ele.
Biden se comprometeu a cumprir um segundo mandato inteiro se for reeleito, afirmou sua porta-voz, Karine Jean-Pierre. O segundo mandato termina em 2028, quando o democrata terá 86 anos.
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